quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Com alma Acertar os Passos

 “Ir com alma para acertar os passos.” (@escritorlecao). O ser humano é simbólico e afeiçoado aos rituais. É interessante observar que os séculos e milênios passam, mas os ritos e símbolos permanecem. Para além da exterioridade, há um universo interior que não é compreendido pela multiplicação de palavras, mas pela profundidade da existência. Ritos e símbolos possuem uma linguagem própria, que vai além do alfabeto. Na maioria das vezes sentimos tantas coisas e apenas silenciamos, pois é impossível descrever detalhadamente o significado de tudo. A quarta-feira de Cinzas é um dia muito especial e simplesmente profundo, pois inaugura um novo tempo, a Quaresma. São 40 dias antes da Páscoa, dedicados à preparação, através da oração, do jejum e da esmola. O ato de receber cinzas na testa traz presente algo que não devemos esquecer: viemos do pó e ao pó retornaremos, isto é, somos transitórios. Esta certeza nos remete à humildade, que está faltando tanto. Durante a Quaresma, Jesus nos inspira atitudes fraternas, através da oração, isto é, da comunicação espiritual com Deus, do jejum, que não está somente atrelado à diminuição da alimentação, mas no abster-se de julgamentos, fofocas e palavrões. A caridade, através da esmola, completa a tríade da Quaresma. Fazer o bem é uma forma bonita de rezar e de agir, em nome de Deus. Durante esse período penitencial, acontece a Campanha da Fraternidade que, neste ano, traz presente uma temática muito importante: a amizade social. Num mundo polarizado, sem paciência e tolerância, é necessário recuperar o pertencimento mútuo. Podemos pensar diferentemente, mas somos da mesma espécie e, portanto, o respeito se apresenta como uma manifestação de amor. A amizade social permite a convivência alegre e transparente, proporcionando a conversão do coração. Nosso período quaresmal é um alento para a alma e uma direção para nossos passos. Que sejamos intensamente humildes e profundamente espiritualizados. Um novo tempo tem seu início de dentro para fora. Santifiquemos nossos dias, rumo à Páscoa.

Frei Jaime Betega

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Olhe para Frente

 “Hoje faz sentido o que a professora me disse uma vez: olhe para frente. A prova é individual.” (@maycofsa). Os meus dias sempre estiveram relacionados com sala de aula. A maior parte deles, como estudante. Já se aproxima de duas décadas, como facilitador do processo de aprendizagem, no ensino superior. É um carinho enorme por querer ajudar a ampliar os horizontes existenciais, através do conhecimento. Mas o mais importante é perceber o quanto os alunos acabam nos ensinando. É uma troca incrível, que simplesmente dá à vida um novo vigor. Os professores das séries iniciais são aqueles que mais impactam. Podemos esquecer o nome das autoridades, mas nunca esqueceremos o nome da primeira professora. Isso é mágico, é um processo natural de eternização do divino que está em cada humano. Quem de nós, em sala de aula, não ouviu a expressão: olhe para frente? Só mais tarde acabamos entendendo que olhar para frente era muito mais do que adequar a postura na carteira escolar. É comum encontrar pessoas que quase sempre olham para trás, lamentando o ontem e até justificando algumas coisas do hoje. Procuro olhar sempre para frente, sem esquecer de carregar comigo a bagagem de uma história feita de muitos capítulos e de diferentes situações. Pode ser que, nos primeiros anos de vida, alguém tenha nos ensinado a olhar para frente, mas o aprendizado diário não pode deixar no esquecimento que viver é avançar, é dar mais um passo e mais outro passo. A prova sempre será individual, por mais intensa que seja a cooperação. O mundo anda facilitando, a  cada dia que passa, os processos e os métodos. Se no passado o sacrifício marcava a vida das pessoas, hoje a automação tornou tudo mais fácil. Tenho que certeza que não vivemos em busca de coisas fáceis, nosso foco é a realização, que consiste numa vida cheia de significado. Olhar para frente é acreditar na possibilidade de ser feliz e de tornar esse mundo um pouco melhor. E isso só se faz olhando para frente, isto é, criando condições favoráveis para fazer a vida fluir e deslanchar. Já vi muita gente só olhando para trás. Não deu outra: a vida não avançou. Ainda ouço a voz da professora dando um norte para seus alunos, em todos os sentidos.

Autor: Frei Jaime

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Conclusóes Antecipadas

 Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco. Numa manhã, ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira. Os amigos disseram ao velho:

— Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado!

E o velho respondeu:

— Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês.

As pessoas riram do velho. Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou. Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo. Novamente, as pessoas se reuniram e disseram:

— Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma bênção.

E o velho disse:

— Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma bênção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta...

O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:

— E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das pernas.

E o velho disse:

— Mas vocês são mesmo obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção...

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.

Quem é obcecado por julgar cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas. Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina outro começa, quando uma porta se fecha outra se abre. Assim é o curso da vida.

 

Autor desconhecido

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O Pote Rachado

 Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço.

Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe.

O pote rachado chegava apenas pela metade.

Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe.

Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.

Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.

Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:

- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.

- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?

- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:

- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.

De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo.

Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.

Disse o homem ao pote:

- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.

Cada um de nós temos nossos próprios e únicos defeitos.

Todos nós somos potes rachados.

Porém, se permitirmos, o Senhor vai usar nossos defeitos para embelezar a mesa de Seu Pai.

Na grandiosa economia de Deus, nada se perde.

Nunca deveríamos ter medo dos nossos defeitos.

Basta reconhecermos nossos defeitos e eles com certeza embelezarão a mesa de alguém.

Das nossas fraquezas, devemos tirar nossa maior força...

Autor Desconhecido

sábado, 10 de fevereiro de 2024

A Era do Descartável

 Tudo começou numa viagem de ônibus. Era um dia quente e abafado, o trajeto era longo. Por precaução antes do embarque, comprei uma garrafa de água para me hidratar durante a viagem. Logo que sentei no lugar que me correspondia, uma velha senhora sentou-se ao meu lado. Parecia muito triste e embora se esforçasse não conseguia conter as lágrimas.

O ônibus pôs-se em movimento numa marcha lenta, tentei dormir mas, de vez em quando, observava aquela senhora, em seu rosto estava estampada uma triste imagem de abandono e desolamento. Quando a percebi mais à vontade, experimentei perguntar-lhe para aonde ia; depois de um longo suspiro, veio a resposta também muito longa.

Contou-me não só para aonde ia mas também o motivo pelo qual estava viajando.Narrou-me sobre a sua vida, as dificuldades que tivera para criar seus cinco filhos, o seu orgulho em vê-los adultos e independentes. Falou-me também de seu desespero quando da morte de seu marido e as conseqüências que este fato trouxe para ela.

Depois de tantos anos de muito trabalho e sofrimento, sentia-se velha e inútil, renegada pela família, um peso para a sociedade. Enquanto ia narrando os fatos, de vez em quando ela repetia uma frase que até hoje sinto um calafrio cada vez que ela me vem à memória, com a voz triste e desiludida dizia: "É moço, é muito triste a gente ficar velha".

No final da viagem ela me abraçou e, com lágrimas nos olhos agradeceu-me pela companhia e por ter lhe reservado a minha atenção. Fiquei muito comovido com aquela história e quando saí do ônibus tive a tentação de jogar aquela garrafa que havia comprado, com água, no lixo. Evidentemente, a esta altura ela já estava vazia. Porém, por uma razão que não soube explicar direito naquela hora, julguei que em outra oportunidade ela poderia ser útil.

E de fato foi, todos os dias antes de sair para o trabalho, abastecia a garrafinha com água e levava comigo, aquele objeto sempre me remetia àquela viagem, lembrava-me daquela senhora, sentia curiosidade de saber como ela estava e, fazia-lhe uma prece esperando que estivesse em segurança.

Por todos os lugares que eu ia, levava comigo a garrafinha com água, pois para mim, não era simplesmente um utensílio, representava-me uma tendência dos tempos: a era do descartável, onde as coisas nos são importantes até que nos sejam úteis, depois, perdem o valor, perdem seu apreço, se tornam um estorvo, e logo são lançadas no lixo. Ela trazia-me também, a imagem daquela senhora, tão vulnerável, tão desiludida, tão triste. Ela também era vítima desta tendência; também tinha perdido sua vitalidade, seu apreço e também era vista como um "produto" descartável e sem utilidade.

Depois de algum tempo, num final de semana, aproveitei a folga para ir passear pelo parque, levei comigo a minha companheira cheia de água, e mais uma vez ela me fez recordar a velha senhora. Isso sempre fazia com que eu ampliasse as minhas reflexões a respeito deste problema. Ia pensando em tantas vezes que descartei e quantas fui descartado. Tantas vezes olhei para meus amigos ou familiares como se fossem "coisas", que só existiam para atender as minhas necessidades e tive a sensação de que muitas vezes eu também era visto desta maneira.

Numa altura do passeio, encontrei-me com alguns conhecidos e o pouco tempo que estive com eles foi o suficiente para me descuidar e perder a garrafinha. Procurei em todos os lugares por onde havia passado, mas não a encontrei.

Voltei para casa triste e como a noite já havia chegado, logo fui para a cama. Adormeci lembrando de minha garrafinha e sentindo uma pontinha de remorso. Foi tão fácil perde-la, afinal, era apenas uma garrafa descartável! Porém, a imagem da garrafinha vinha acompanhada de uma imagem humana com o rosto triste e envelhecido que um dia conheci numa viagem de ônibus, que também fora esquecido e descartado nos caminhos da vida.

Durante o sono tive um pesadelo; sonhei que estava velho e havia sido esquecido, abandonado, descartado como aquela senhora da viagem, ou qualquer garrafa d’água vazia.

Os dez Ladrões de boas Energias

 1. Afaste-se daquelas pessoas que só chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamento dos outros. Se alguém procura uma lata para jogar o lixo que tem dentro, que não seja na sua mente.

2. Pague as suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre aqueles que te devem ou escolha deixar para lá, se você já percebeu que é impossível receber.

3. Cumpra as suas promessas. Se você não cumpriu alguma, pergunte-se o porquê desta resistência. Sempre você tem o direito de mudar de opinião, de se desculpar, de compensar, de renegociar e de oferecer outra alternativa diante de uma promessa não cumprida, mesmo que já um costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprimento de algo que você não quer fazer é dizer "NÃO" desde o começo.

4. Elimine, dentro do possível, e delegue aquelas tarefas que você prefere não fazer, dedicando o seu tempo àquilo que, sim, você desfruta fazer.

5. Dê permissão a você mesmo para um descanso, quando você estiver em um momento que o necessite e dê permissão a você mesmo para agir quando estiver em um momento de oportunidade.

6. Jogue fora, recolha e organize... nada te tira mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que você já não necessita.

7. Dê prioridade à sua saúde, sem a máquina do corpo trabalhando ao máximo, você não pode fazer muito. Tome tempo para perceber o que seu corpo está te dizendo.

8. Enfrente as situações tóxicas que você está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária.

9. Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que o resistir e brigar contra uma situação que você não pode mudar.

10. Perdoe... deixe ir uma situação que está te causando dor... você sempre pode escolher deixar ir a dor da recordação."

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

O Tempo de Cada um

 


Nova York está 3 horas à frente de Los Angeles, mas isso não torna Los Angeles mais lenta.

Alguém se formou aos 22 anos, mas esperou 5 anos para conseguir um bom trabalho. Alguém se formou aos 30, mas já trabalhava em sua área desde os 18.

Alguém se tornou empresário aos 25 anos e morreu aos 50 anos.

Enquanto outro se tornou dono do seu negócio com 50 anos e viveu até 90 anos.

Alguém ainda está solteiro aos 40, enquanto outra pessoa se casou bem jovem.

Todos neste mundo trabalham com base no seu fuso horário.

As pessoas ao seu redor podem parecer estar à sua frente,

Alguns podem parecer estar atrás de você.

Mas todos estão executando sua própria corrida, em seu próprio tempo, não os inveje e não os zombe.

Eles estão no fuso horário deles e você está no seu.

A vida se resume no momento certo para agir.

Então, relaxe:

Você não está adiantado.

Você não está atrasado.

Você está no tempo certo.

Você está no seu tempo.

 

(Autor desconhecido)