quinta-feira, 30 de novembro de 2023

A benção do trabalho


 
Devotado chefe de família que lutava bravamente para amealhar recursos com que pudesse sustentar o barco doméstico, depois de desfrutar vasto período de fartura, viu-se de um momento para outro pobre e abandonado pelos melhores amigos, em virtude de enorme desastre financeiro.

O infeliz não soube suportar o golpe que o destino lhe desfechara e morreu após alguns dias, vitima de inomináveis dissabores.
Entregue a si mesma, ao pé de seis filhos jovens, a valorosa viúva enxugou o pranto e os reuniu ao redor de velha mesa que lhes restava, e verificou que os moços amargurados pareciam absolutamente vencidos pela tristeza e pelo desânimo.

Cercada de tantas lamentações e lágrimas, a senhora pensou, pensou...e, em seguida dirigiu-se ao interior, de onde voltou sobraçando pequena caixa de madeira, cuidadosamente cerrada, e lhes falou com segurança:
- Meus filhos, não nos encontramos em tamanha penúria. Neste cofre possuímos valioso tesouro que a previdência paterna lhes deixou. 
É fortuna capaz de fazer nossa felicidade, entretanto, os maiores depósitos do mundo desaparecem quando não se alimentam nas fontes do trabalho honesto e produtivo. Em verdade, o nosso ausente, quando desceu ao repouso, nos empenhou em dívidas pesadas; todavia, não será justo o esforço para resgatar com a preservação de nosso precioso legado? 

Aproveitemos o tempo, melhorando a própria sorte e, se concordam comigo, abriremos a caixa, mais tarde, a menos que as exigências do pão se façam insuperáveis.
Belo sorriso de alegria e reconforto apareceu no semblante de todos.
No dia seguinte, os seis jovens atacaram corajosamente o serviço da terra. Valendo-se de gleba alugada, plantaram o trigo, com imenso desvelo, em valoroso trabalho de colaboração e, com tanto devotamento se portaram que, findos seis anos, os débitos da família se achavam liquidados, enorme propriedade rural fora adquirida e o nome do pai coroado de novo, pela honra justa e pela fortuna próspera.

Quando já haviam superado de muito os bens perdidos pelo pai, reuniram-se, certa noite, com a genitora, a fim de conhecerem o legado intacto.
A velhinha trouxe o cofre, com inexcedível carinho, sorriu, satisfeita e abriu-o sem grande esforço. Com assombro dos filhos, porém, dentro do estojo encontraram somente velho pergaminho com as belas palavras de Salomão:

- O filho sábio alegra o pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe. Os tesouros da impiedade de nada aproveitam; contudo, a justiça livra-nos da morte ao mal. O Senhor não deixa com fome a alma do justo; entretanto recusa a fazenda dos ímpios. Aquele que trabalha com mão enganosa, empobrece; todavia a mão dos diligentes enriquece para sempre.
Entreolharam-se os rapazes com júbilo indizível, e agradeceram a inolvidável lição que o carinho materno lhes havia doado.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A arte de usar a tesoura



Há alguns anos conheci uma família muito eficiente na arte de usar a tesoura. Os amigos de cada uma das pessoas da família passavam por constante votação para determinar se estavam à altura dos padrões impostos pela mãe e pelo pai. Um deslize resultava em afastar alguém do estreito círculo de "amigos". Qualquer um que não reagisse imediatamente com grande gratidão era eliminado da lista da próxima vez. Cortado!

Um dia eu também passei pela tesoura daquela família. Nunca soube exatamente o motivo, mas soube também reconhecer que, uma vez cortada, não havia mais esperanças de ser readmitida na vida deles.

No ano passado, a mãe da família morreu. O pai e as filhas, esperando que uma grande multidão comparecesse para o último adeus, pediram a ajuda da polícia local para controlar o trânsito. Enviaram telegramas, telefonaram, os hotéis da localidade foram avisados.

Contudo, no final, apenas o marido, as filhas, os genros e um neto ou dois participaram do ofício fúnebre.

Cortar as pessoas imperfeitas de nossa vida é um convite à solidão. Quem sobraria para ser nossos amigos? 

Existe alguém que você gostaria de incluir novamente em seu rol de amigos?  Que tal dar-lhe um telefonema?

Bom dia!!!

A árvore gigantesca


Um carpinteiro e seus auxiliares viajavam pela província de Qi, em busca de material para construções. Viram uma árvore gigantesca; cinco homens de mãos dadas não conseguiam abraçá-la; e seu topo era tão alto que quase tocava as nuvens.

Não vamos perder nosso tempo com esta árvore - disse o mestre carpinteiro. - Para cortá-la, demoraremos muito. Se quisermos fazer um barco, ele afundará - de tão pesado. Se resolvermos usá-la para a estrutura de um teto, as paredes terão que ser exageradamente resistentes.

O grupo seguiu adiante. Um dos aprendizes comentou:

-É uma árvore tão grande e não serve para nada!

-Você está enganado – disse o mestre carpinteiro. Ela apenas seguiu seu destino a sua maneira. Se fosse igual às outras, nós já a teríamos cortado. Mas porque teve coragem de ser diferente, permanecerá viva e forte por muito tempo.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Vencer com seus próprios esforços

 


Estava um homem a descansar embaixo de uma árvore quando notou, pendurado acima de sua cabeça, um casulo de dentro do qual tentava sair uma pequena borboleta.

O homem passou a observar os esforços da larva, que inicialmente fez um minúsculo buraco na parede do casulo e depois começou a aumentá-lo, com enorme esforço.

As horas se passavam. O homem foi e voltou, mas a borboleta não fazia nenhum progresso em seu árduo trabalho. Apenas se debatia, alternando a posição do corpo, recém-formado. O homem, aflito com a situação do inseto, resolveu ajudá-lo.

Tirou do bolso um canivete e, com ele, de um golpe só, cortou o casulo que o prendia.
Imediatamente a borboleta se estatelou no chão e, por mais que sacudisse as asas, elas não respondiam, porque não haviam crescido o suficiente para agüentar seu peso.

Por falta de exercício para sair do casulo, ela estava muito gorda e não conseguia voar. Debateu-se assim por horas e finalmente morreu no meio da relva, deixando perplexo o homem que pensara em facilitar-lhe a vida.

Os seres humanos, assim como as borboletas, quando precisam sair do casulo, têm de vencer as dificuldades a partir dos seus próprios esforços. Excesso de proteção acaba por prejudicar a evolução e atrasar a mente.

Por isso, ao ter de enfrentar uma situação muito difícil, não se revolte caso você não encontre a ajuda esperada. Talvez, ter de se desvencilhar sozinho do problema seja necessário para seu crescimento.

Ao resolvê-lo, você estará pronto e livre, como uma borboleta, para continuar o seu caminho.

Marina Gold

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

O bom coração


No tempo do Buda vivia uma velha mendiga chamada "Confiando na Alegria". Ela observava os reis, príncipes e o povo em geral fazendo oferendas ao Buda e a seus discípulos, e não havia nada que quisesse mais do que poder fazer o mesmo.

Saiu então pedindo esmolas, mas o fim do dia não havia conseguido mais do que uma moedinha. Levou-a ao mercado para tentar trocá-la por algum óleo mas o vendedor lhe disse que aquilo não dava para comprar nada. 

Quando soube que ela queria fazer uma oferenda ao Buda, encheu-se de pena e deu-lhe o óleo que queria. A mendiga foi para o mosteiro e acendeu a lâmpada.

Colocou-a diante do Buda e fez o seguinte pedido: "Nada tenho a oferecer senão esta pequena lâmpada. Mas com esta oferenda possa eu no futuro ser abençoada com a lâmpada da sabedoria. Possa eu libertar todos os seres das suas trevas, purificar todos os seus obscurecimento e levá-los a iluminação".

Durante a noite, o óleo de todas as outras lâmpadas se acabou. Mas a lâmpada da mendiga ainda queimava na alvorada, quando Maudgalyayana, o discípulo do Buda, chegou para recolher as lâmpadas. Ao ver aquela única ainda brilhando, cheia de óleo e com pavio novo, pensou: 

"Não há razão para que essa lâmpada continue ainda queimando durante o dia", e tentou apagar a chama com os dedos, mas foi inútil. Tentou abafá-la com suas vestes, mas ela ainda ardia .

 O Buda o observando há algum tempo, e disse: Maudgalyayana, você quer apagar essa lâmpada? não vai conseguir. Não conseguiria nem movê-la daí, que dirá apagá-la. 

Se jogasse nela toda a água dos oceanos, ainda assim não adiantaria. A água de todos os rios e lagos do mundo não poderia extinguir esta chama. Por que não?
Porque ela foi oferecida com devoção e com pureza de coração e mente. Essa motivação produziu um enorme benefício".

Quando o Buda terminou de falar, a mendiga se aproximou e ele profetizou que no futuro
ela se tornaria um perfeito buda, conhecido como "Luz da lâmpada".

Em tudo, o nosso sentimento é que importa, a intenção boa ou má influencia diretamente nossa vida no futuro. Qualquer ação por mais simples que seja, se feita com coração produz benefícios na vida das pessoas.

Outra versão desta história diz que a mulher teria vendido o cabelo para oferecer uma lâmpada ao Buda, a noite teve uma ventania e todas as lâmpadas dos ricos foram apagadas, a desta mulher continuou
acessa queimando a noite toda. 

Não importa a versão mas sim lição de vida contida nela

          
Bom dia!!

Faça Hoje, Não Amanhã

Diz o preguiçoso: "Amanhã farei." Exclama o fraco: "Amanhã terei forças." Assevera o delinqüente: "Amanhã regenero-me."  É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, a noção real do tempo. Quem não aproveita a bênção do dia vive distante da glória do século.


A alma sem coragem de avançar cem passos não caminhará vinte mil.
O lavrador que perde a hora de semear não consegue prever as conseqüências da procrastinação do serviço a que se devota, porque,
entre uma hora e outra, podem surgir impedimentos e lutas de indefinível duração.

Muita gente aguarda a morte para entrar numa boa vida. Contudo a lei é clara quanto à destinação de cada um de nós. Alcançaremos sempre os resultados a que nos propomos.

Se todas as aves possuem asas, nem todas se ajustam à mesma tarefa nem planam no mesmo nível. A andorinha voa na direção do clima primaveril, mas o corvo, de modo geral, se consagra, em qualquer tempo, aos detritos do chão. Aquilo que o homem procura agora surpreenderá amanhã, à frente dos olhos e em torno do coração.

Cuida, pois, de fazer, sem delonga, quanto deve ser feito em benefício de tua própria felicidade, porque o Amanhã será muito agradável e benéfico somente para aquele que trabalha no bem, que cresce no ideal superior e que aperfeiçoa nas abençoadas horas de Hoje.

(Mensagem de Emmanuel psicografada por Chico Xavier)
 

sábado, 25 de novembro de 2023

Verdadeira Propriedade


 
Um dia um homem que acredita na vida após a morte, e que valoriza o ser mais que o ter, hospedou-se na casa de um materialista convicto, em bela mansão de uma cidade européia.

Depois do jantar, o anfitrião convidou o hóspede para visitar sua galeria de artes e começou a enaltecer os bens materiais que possuía, de maneira soberba. Falou que o homem vale pelo que possui, pelo patrimônio que consegue acumular durante sua vida na Terra. Exibiu escrituras de propriedades as mais variadas, jóias, títulos, valores diversos.

Depois de ouvir e observar tudo calmamente, o hóspede falou da sua convicção de que os bens da Terra não nos pertencem de fato, e que mais cedo ou mais tarde teremos que deixá-los. Argumentou que os verdadeiros valores são as conquistas intelectuais e morais e não as posses terrenas, sempre passageiras.

No entanto o materialista falou com arrogância que era o verdadeiro dono de tudo aquilo e que não havia ninguém no mundo capaz de provar que todos os seus bens não lhe pertenciam. Diante de tanta teimosia, o hóspede propôs-lhe um acordo.
- Já que é assim, voltaremos a falar do assunto daqui a cinqüenta anos, está bem?

- Ora, disse o dono da casa, daqui a cinqüenta anos nós já estaremos mortos, pois ambos temos mais de sessenta e cinco anos de idade!

O hóspede respondeu prontamente:
- É por isso mesmo que poderemos discutir o assunto com mais segurança, pois só então você entenderá que tudo isso passou pelas suas mãos mas, na verdade, nada disso lhe pertence de fato. Chegará um dia em que você terá que deixar todas as posses materiais e partir, levando consigo somente suas verdadeiras conquistas, que são as virtudes do espírito imortal. E só então você poderá avaliar se é verdadeiramente rico ou não.

O homem materialista ficou contemplando as obras de arte ostentadas nas paredes de sua galeria, e uma sombra de dúvida pairou sobre seu olhar, antes tão seguro.