Um dia, Deus se fez homem e assumiu a forma de mendigo. Roupas esfarrapadas, barba por fazer, entrou na modesta oficina de um sapateiro. Esclareceu que era peregrino, não tinha uma única moeda no bolso e suas sandálias haviam acabado de perder a batalha contra o tempo. E precisava delas. Pediu que o sapateiro lhe desse um novo par de sandálias. É sempre assim, respondeu o sapateiro, estou cansado de pedidos e ninguém me dá nada. Eu gostaria que alguém me desse um milhão de dólares, assim eu seria feliz, mas ninguém me dá
Eu lhe posso dar um milhão de dólares, até mais, em troca de alguma coisa. A oferta surpreendeu o sapateiro. O que poderia oferecer um mendigo? Dar-lhe ei 10 milhões de dólares, em troca de suas pernas. Era uma troca impensável. O que me adiantaria ter 10 milhões de dólares e não poder caminhar? O mendigo continuou posso lhe dar cinquenta milhões de dólares pelos seus braços. Sem eles, refletiu o sapateiro, nem mesmo poderia alimentar-me sozinho. E, superando, a incredulidade e o espanto do sapateiro, o mendigo propôs outra troca: dar-lhe ei cem milhões de dólares pelos seus olhos. O que faria com cem milhões de dólares e não pudesse ver o rosto de minha esposa, se não pudesse ver o riso de meus filhos e amigos nem a magia do nascer do dia?
E o mendigo, antes de reiniciar suas interminável caminhadas pelas estradas do mundo disse: irmão, irmão, que fortuna possuis e não te dás conta... O conto é do escritor argentino Facundo Cabral.
Há duas maneiras de ver a vida: uma é como se nada fosse milagre: a outro como se tudo fosse milagre. Nascemos e vivemos em meio ao maravilhoso e não nos damos conta disso. Francisco de Assis se encantava em meio às maravilhas da Criação. Ele louvava a Deus pelas flores, pelo sol, pelo vento. pela água. amava a natureza e a respeitava porque as criaturas formavam um grande jardim, nos quais os irmos e irmãs caminhavam.
Ser feliz é uma escolha. Há muto mais coisas para admirar, do que para lamentar. A Bíblia diz que Deus, após seis dias da Criação, viu que tudo era bom. E confiou a bondade da Criação ao nosso cuidado. E o poeta garantia: não tenho uma única moeda no bolso, mas o céu azul me enche o coração.
Na realidade, o pior cego é aquele que não percebe as maravilhas divinas, dentro e fora de nós.
(Frei Aldo Colombo)
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