quarta-feira, 1 de março de 2017



Conselho



Certa vez um jovem muito rico foi procurar um rabi para lhe pedir um conselho.
 Toda sua fortuna não era capaz de lhe proporcionar a felicidade tão sonhada.
 Falou da sua vida ao rabi e pediu a sua ajuda.


 Aquele homem sábio o conduziu até uma janela e pediu para que olhasse para fora com atenção, e o jovem obedeceu.
 O que você vê através do vidro, meu rapaz? Perguntou o rabi.

Vejo homens que vêm e vão, e um cego pedindo esmolas na rua, respondeu o moço.

Então o homem lhe mostrou um grande espelho e novamente o interrogou: o que você vê neste espelho?

Vejo a mim mesmo, disse o jovem prontamente.

E já não vê os outros, não é verdade?


E o sábio continuou com suas lições preciosas:


 Observe que a janela e o espelho são feitos da mesma matéria prima: o vidro. Mas no espelho há uma camada fina de prata colada ao vidro e, por essa razão, você não vê mais do que sua própria pessoa.
 Se você se comparar a essas duas espécies de vidro, poderá retirar uma grande lição.
 Quando a prata do egoísmo recobre a nossa visão, só temos olhos para nós mesmos e não temos chance de conquistar a felicidade efetiva.
 Mas quando olhamos através dos vidros limpos da compaixão, encontramos razão para viver e a felicidade se aproxima.

Por fim, o sábio lhe deu um simples conselho:

Se quiser ser verdadeiramente feliz, arranque o revestimento de prata que lhe cobre os olhos para poder enxergar e amar os outros. Eis a chave para a solução dos seus problemas.
 Se você também não está feliz com as respostas que a vida tem lhe oferecido, talvez fosse interessante tentar de outra forma.
 Muitas vezes, ficamos olhando somente para a nossa própria imagem e nos esquecemos de que é preciso retirar a camada de prata que nos impede de ver a necessidade à nossa volta.
 Quando saímos da concha de egoísmo, percebemos que há muitas pessoas em situação bem mais difícil que a nossa e que dariam tudo para estar em nosso lugar.
 E quando estendemos a mão para socorrer o próximo, uma paz incomparável nos invade a alma.
 É como se Deus nos envolvesse em bênçãos de agradecimento pelo ato de compaixão para com seus filhos em dificuldades.
 Ademais, quem acende a luz da caridade, é sempre o primeiro a beneficiar-se dela.
 E a caridade tem muitas maneiras de se apresentar:
 Pode ser um sorriso gentil...
 Uma palavra que anima e consola...
 Um abraço de ternura...
 Um aperto de mão...
 Um pedaço de pão...
 Um minuto de atenção...
 Um gesto de carinho...
 Uma frase de esperança...

E quem de nós pode dizer que não necessita ou nunca necessitará dessas pequenas coisas?

Pense nisso!


A caridade é o gênio celestial que nos tece asas de luz para a comunhão com o pensamento divino, se soubermos esquecer de nós mesmos para construir a felicidade daqueles que nos estendem as mãos. Pensemos nisso!

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