Uma senhora muito pobre vivia em uma casa feita de lonas e compensado. No meio de tantas mansões luxuosas, os moradores da cidade se incomodavam com sua presença. Alegavam que aquela casinha improvisada deixava o local feio e poderia afastar turistas. Indignados, tentavam expulsá-la de todas as formas.
Certo dia, com fome e sem opções, a senhora foi até um restaurante da cidade e pediu humildemente ao gerente:
— Senhor, será que poderia me dar o resto de comida que seria jogado fora?
O gerente, com desprezo, jogou o balde de restos no chão. A comida misturou-se à terra, e alguns grãos de feijão podre atingiram o rosto da mulher, sujando seus óculos e também a Bíblia velha que ela carregava junto ao peito. Dando risada, o gerente gritou:
— Quer comida? Então coma a que joguei no chão!
Os clientes do restaurante caíram na gargalhada, zombando da pobre senhora. Ela, com dignidade, limpou os óculos, passou a mão na capa da Bíblia, ergueu a cabeça e saiu sem dizer uma palavra. Já estava acostumada à humilhação.
Ao chegar em casa, ajoelhou-se sobre o chão de barro batido, segurou firmemente sua Bíblia suja de lama e, em prantos, orou:
— Meu Deus... Não me deixe ser esquecida neste mundo.
Algum tempo se passou. Um mendigo, tão miserável quanto ela, chegou àquela cidade arrogante. Rapidamente, os moradores também quiseram expulsá-lo. O homem bateu de porta em porta, pedindo um pedaço de pão, mas ninguém lhe abriu. Muitos fingiam nem ouvir.
Cansado, faminto e quase desfalecendo, o mendigo caminhou até a casinha de lona e bateu com suavidade. A senhora o atendeu com um sorriso triste e, sem hesitar, disse:
— Senhor, eu não tenho muito. Mas ganhei hoje um pão dormido no mercado. Entre... vamos dividir.
Ela partiu o pão com ele. O mendigo, emocionado, comeu como há muito não fazia. Depois de saciar a fome, olhou nos olhos da mulher e disse:
— Não tenho nada para lhe retribuir, mas... — ele tirou do bolso uma moeda velha, suja e enferrujada — tome isto.
A mulher sorriu e aceitou a moeda como quem recebe um tesouro.
Dias depois, ao passar diante de uma loja, viu um cartaz: "Compramos moedas raras". Pensando na moeda dada pelo mendigo, entrou curiosa. Para seu espanto, a moeda era rara e valiosíssima, valendo vários milhares de reais — dinheiro suficiente para comprar uma casa modesta e viver dignamente.
Transbordando de alegria, ela correu pelas ruas da cidade, procurando o mendigo. Queria dividir com ele o dinheiro. Depois de muita busca, finalmente o encontrou. Ofegante e com lágrimas nos olhos, disse:
— Senhor, por favor, aceite metade deste dinheiro. Foi você quem mudou minha vida!
O mendigo sorriu com ternura e respondeu:
— Não precisa me dar nada. Este presente era para restaurar sua dignidade.
Confusa, a senhora retrucou:
— Mas... e o senhor? Também precisa!
Ele balançou a cabeça serenamente:
— Não, minha senhora. Eu não preciso de nada. Este é o meu trabalho, e é de graça.
Com o coração cheio de gratidão, a mulher implorou:
— Então, ao menos me diga seu nome! Quero guardá-lo para sempre na memória.
O mendigo fitou seus olhos marejados e respondeu, com voz suave:
— Meu nome é Jesus.
Dito isso, ele sorriu, virou-se e desapareceu entre as vielas.
Às vezes, Deus visita os corações mais simples disfarçado de necessidade. Quem abre a porta com amor pode, sem saber, estar recebendo o próprio Cristo. Quem fecha, fecha contra si mesmo a maior oportunidade de sua vida.
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