Um casarão de mármore branco se erguia solitário no alto da colina. Ali vivia Isla, uma garotinha de seis anos que perdera os movimentos após um acidente. Seu pai, Dorian Varella, um milionário da tecnologia, havia tentado de tudo — médicos, clínicas, terapias —, mas nada devolvia o sorriso da filha.
Até aquele fim de tarde.
Ao atravessar o jardim, Dorian congelou: Isla ria. Não um sorriso tímido, mas gargalhadas cristalinas. Diante dela, um garoto descalço dançava na grama — caía de propósito, fazia caretas, rodopiava como um palhaço nato. E Isla, entre palmas e risadas, tentava imitá-lo. Pela primeira vez em meses, seus pezinhos se mexeram.
O pai pensou em expulsar o intruso, mas conteve-se. A cena era preciosa demais.
No dia seguinte, o menino voltou. Seu nome era Kian, órfão das ruas. Isla implorou:
— Papai, não manda ele embora! Ele é meu amigo.
Dorian hesitou, mas não resistiu. E, assim, todos os dias Kian dançava no jardim. A menina sorria, os médicos se surpreendiam. Até que, numa tarde, Isla segurou firme os apoios da cadeira, ergueu o corpo e ficou em pé por três segundos.
— EU CONSEGUI! — gritou, chorando de alegria.
O milionário caiu de joelhos, emocionado. Olhou para Kian e disse:
— Você devolveu a minha filha.
Naquela noite, abriu as portas da mansão para o garoto:
— A partir de hoje, esta é sua casa.
E o que era antes um túmulo silencioso transformou-se em lar. Isla voltou a acreditar em si mesma, Kian ganhou uma família, e Dorian descobriu que nem toda fortuna do mundo compra o que o amor verdadeiro pode oferecer.
Moral da história: às vezes, quem menos tem é quem mais pode dar. A menina mora em enorme castelo, o pai muito rico, mas a felicidade dela e o voltar a andar, foi inspirando em um garoto que nada tinha de bens materiais, mas tinha a vida para ser bem vivida e divertida. O valor da vida não está no que possuímos, mas na capacidade de transformar o mundo de alguém com pequenos gestos de amor.
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