O Peso que Salva
Um velho artesão vivia em uma vila simples, conhecido por sua calma e por carregar sempre uma grande bolsa de couro às costas. Era uma bolsa pesada, desgastada, e muitos riam dele pelas costas:
— Por que esse velho insiste em carregar isso?
— Ele devia largar esse peso inútil de uma vez.
Um dia, um jovem da vila, curioso, perguntou:
— Mestre, por que o senhor carrega essa bolsa se ela claramente te machuca?
O artesão sorriu, cansado, mas sereno:
— Porque dentro dela estão coisas das quais não posso fugir.
O jovem insistiu para ver o conteúdo. Depois de uma longa caminhada até o alto de um pequeno morro, o velho finalmente abriu a bolsa. Lá dentro, havia pedras — cada uma cuidadosamente marcada com palavras: Medo, Culpa, Perdas, Erros, Silêncios, Saudade.
— Mestre… por que guardar isso? Isso só te machuca.
O velho respondeu:
— O peso machuca, sim… mas me lembra quem eu me tornei apesar dele.
— Se eu fingisse que nada disso existe, eu me perderia.
— Carrego para aprender, não para sofrer.
No mesmo instante, uma forte ventania atingiu o topo do morro. O jovem escorregou próximo à beirada. O velho, mesmo fraco, fincou a bolsa no chão, apoiou-se nela e segurou o rapaz, impedindo-o de cair.
Quando o perigo passou, o jovem percebeu, ofegante:
— Mestre… sua bolsa te salvou. E salvou a mim também.
O velho sorriu:
— Assim é com o que carregamos na alma.
— Nossos pesos não existem para nos afundar, mas para nos firmar.
— Quando aprendemos a dar sentido a eles, transformam-se em apoio… e até em força para salvar alguém.
Ao descerem o morro, o jovem pediu para ajudar a carregar a bolsa. O artesão recusou com suavidade:
— Não precisa carregar o meu peso. Mas aprenda a conhecer o seu.
— Só cai quem tenta viver leve demais por fora e vazio demais por dentro.
Desde aquele dia, o jovem não riu mais dos pesos alheios — nem dos seus próprios.
Uma parábola profunda sobre o peso invisível que cada pessoa carrega.
Uma história que nos lembra que nossas dores, erros e perdas não são inimigas — podem ser exatamente o que nos sustenta quando tudo balança.
Uma reflexão curta, mas intensa, para quem precisa de um abraço em forma de palavras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário