terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O Peso que Salva

 

O Peso que Salva

Um velho artesão vivia em uma vila simples, conhecido por sua calma e por carregar sempre uma grande bolsa de couro às costas. Era uma bolsa pesada, desgastada, e muitos riam dele pelas costas:

Por que esse velho insiste em carregar isso?
Ele devia largar esse peso inútil de uma vez.

Um dia, um jovem da vila, curioso, perguntou:

Mestre, por que o senhor carrega essa bolsa se ela claramente te machuca?

O artesão sorriu, cansado, mas sereno:

Porque dentro dela estão coisas das quais não posso fugir.

O jovem insistiu para ver o conteúdo. Depois de uma longa caminhada até o alto de um pequeno morro, o velho finalmente abriu a bolsa. Lá dentro, havia pedras — cada uma cuidadosamente marcada com palavras: Medo, Culpa, Perdas, Erros, Silêncios, Saudade.

— Mestre… por que guardar isso? Isso só te machuca.

O velho respondeu:

O peso machuca, sim… mas me lembra quem eu me tornei apesar dele.
Se eu fingisse que nada disso existe, eu me perderia.
Carrego para aprender, não para sofrer.

No mesmo instante, uma forte ventania atingiu o topo do morro. O jovem escorregou próximo à beirada. O velho, mesmo fraco, fincou a bolsa no chão, apoiou-se nela e segurou o rapaz, impedindo-o de cair.

Quando o perigo passou, o jovem percebeu, ofegante:

— Mestre… sua bolsa te salvou. E salvou a mim também.

O velho sorriu:

Assim é com o que carregamos na alma.
Nossos pesos não existem para nos afundar, mas para nos firmar.
Quando aprendemos a dar sentido a eles, transformam-se em apoio… e até em força para salvar alguém.

Ao descerem o morro, o jovem pediu para ajudar a carregar a bolsa. O artesão recusou com suavidade:

Não precisa carregar o meu peso. Mas aprenda a conhecer o seu.
Só cai quem tenta viver leve demais por fora e vazio demais por dentro.

Desde aquele dia, o jovem não riu mais dos pesos alheios — nem dos seus próprios.



Uma parábola profunda sobre o peso invisível que cada pessoa carrega.
Uma história que nos lembra que nossas dores, erros e perdas não são inimigas — podem ser exatamente o que nos sustenta quando tudo balança.
Uma reflexão curta, mas intensa, para quem precisa de um abraço em forma de palavras.

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