terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O pequeno embrulho

 O homem, por detrás do balcão, olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha aproximou-se da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine.


Os olhos da cor do céu brilharam quando viu um determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.

— É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?

O dono da loja olhou desconfiado para a menininha e perguntou-lhe:

— Quanto de dinheiro tem?

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarrado e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e, convicta, disse-lhe:

— Isso dá?

Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.

— Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Ela cuida de mim e dos meus irmãos. É seu aniversário e tenho certeza de que ficará muito feliz com o colar que é da cor de seus olhos.

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um lindo estojo, embrulhou-o com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.

— Tome, disse à garota, leve-o com cuidado.

Ela saiu alegremente saltitando pela rua abaixo.

Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis entrou na loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou ao proprietário:

— Este colar foi comprado aqui?
— Sim, senhora.

— Quanto custou?

— O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.

A moça continuou:

— Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.

— Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar: deu tudo o que tinha.

O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem, enquanto suas mãos pegavam o pequeno embrulho

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